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O Enem, a ética e o mundo do trabalho

Publicado por:
26 set

02.3

Em 2009, vários jornais do Brasil publicaram matérias acerca das mudanças no Enem, entre elas o aumento do número e da complexidade das questões, a realização da prova em dois dias e a formulação dos quesitos de maneira a permitir comparações sobre o desempenho do aluno de um ano para outro. Além disso, outra notícia teve forte repercussão: o vazamento da prova.

Esse fato nos leva a refletir sobre uma questão relevante: a ética. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ética é “a parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores e prescrições presentes em qualquer realidade social”.

Vale lembrar que, além da resolução de problemas associados a cada área do conhecimento e das competências necessárias para tal, o componente ético do processo de tomada de decisões não pode ficar de fora da discussão, especialmente quando se trata da formação de jovens para o mundo do trabalho.

A divulgação da prova antes de sua aplicação teve consequências graves, a exemplo da recusa de várias universidades ao uso do Enem como forma de classificação dos alunos, da desconfiança no sistema e do gasto do dinheiro público para refazer todo o processo. Para os estudantes, foi dado um péssimo exemplo.

O que se quer discutir aqui é qual tipo de cidadão se está buscando para o nosso país. Não basta apenas adquirir conhecimentos, saber solucionar problemas do dia a dia, do meio profissional ou relativos à sociedade. É também imprescindível avaliar o caminho que se busca para solucionar os problemas. Que recursos você utiliza? Como se relaciona com os colegas de faculdade e de trabalho? Como encaminha sua carreira? Todas essas questões têm em comum algo determinante: a ética.

Recentemente, o Conselho Nacional de Educação apresentou uma proposta de reformulação do Ensino Médio com eixos temáticos diversificados (trabalho, ciência, tecnologia e cultura) e valorização da interdisciplinaridade. Com isso, os alunos teriam a oportunidade de optar por disciplinas de seu interesse, e não só cursar aquelas obrigatórias. Afinal, na prática, o que isso quer dizer para os estudantes? Significa que não basta apenas decorar assuntos e ser um aluno aplicado. O que se espera do jovem é a capacidade de pensar e de se posicionar de maneira crítica, sendo agente ativo de mudança, utilizando o conhecimento adquirido na solução de problemas. Nesse sentido, não se podem deixar de lado os valores, as normas que regem a sociedade e o comportamento no ambiente profissional.

Na busca pela inserção no mundo do trabalho, os jovens devem observar que, muito mais do que um bom conhecimento técnico — que é importante, diga-se —, a capacidade de pensar a realidade, de se posicionar e de propor soluções para os problemas, considerando a coletividade e a consequência de seus atos, é um fator relevante. Cada vez mais as organizações buscam profissionais com formação mais ampla, não apenas técnica.

Em outras palavras, o olhar crítico e a postura ativa e ética podem ser muito mais que a ponte entre o Ensino Médio e a universidade: podem facilitar o ingresso no mercado de trabalho e o sucesso na carreira.

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